Para além do arco-íris

31 03 2010

Entre os convidados que irão compor a mesa de debate do dia 07 de Abril na livraria Cultura, contaremos com a presença da pesquisadora, Rúbia Lóssio, Mestre em Comunicação e Coordenadora do Núcleo de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco.

Possuidora de uma personalidade terna e serena, Rúbia encantou-se desde muito cedo pelo simples e pelo belo. Apreciadora da natureza, emociona-se com as nebulosas nuvens do Recife, que se anunciam nos primeiros pingos de chuva e considera sagrado o entardecer.

Das cores reluzentes do arco-íris e dos passos frenéticos do frevo, duas de suas grandes paixões, esta recifense retirou o gosto pela variedade e o popular. Ainda na graduação escolheu estudar a fala do povo e por que não dizer a fala de um povo. Nos caminhos da folkcomunicação, encontrou as recriações dos populares sobre os discursos midiáticos, e, como acontece nas melhores fábulas, adentrou em mundo de mistério, encanto e magia. Rúbia descobriu as lendas e os contos e deste mundo resolveu não mais sair.

Confira abaixo, a entrevista concedida por Rúbia ao MAP, e, quem sabe, encontres também um portal para o “admirável mundo novo” da oralidade popular. 

  1. 1.   Como você definiria a Folkcomunicação?

A folkcomunicação é o uso que o povo faz em seu cotidiano das mensagens que recebe das mídias. Desse modo o povo, cria maneiras de interpretar o que ver, ouve ou ler através da linguagem, artesanato, danças, músicas entre outros. Como exemplo tempos o artesão Miro Bonequeiro do município de Carpina/PE que criou o mamulengo chamado Foguinho. Na época Foguinho era um personagem de uma novela feito pelo ator Lázaro Ramos e que tinha como características o bigode pintado de louro. Encontramos exemplos da folkcomunicação no cotidiano das culturas populares.   

  1. 2.   Quais os comentários você poderia fazer a respeito da relação entre cultura popular e cultura de massa?

Cultura popular envolve os símbolos que o povo usa pra sobrevier e organizar-se. Daí a cultura popular possuir como características tradição, ritual, anonimato, resistência, ambivalência, necessidades, funcionalidade e dinâmica. A cultura popular tem também como forte a questão da espontaneidade. Já a cultura de massa, é movida pelas regras do mercado e do consumo. É atraída pela dinâmica das inovações tecnológicas. A cultura de massa expressa uma insatisfação constante em seu cotidiano em busca do novo. Há quem fale também, que exista a cultura popular de massa. A cultura popular de massa pode ser vista nas culturas periféricas, entre aculturação e hibridização destacam-se maneiras de sobrevivência entre consumo e tradição.

  1. 3.   Segundo a Internacional Society for Folk-narrative, as lendas classificam-se em etiológicas e escatológicas, históricas e histórico-culturais e lendas míticas. Assim, seria correto afirmar que há predominância de lendas de estrutura mítica no interior do nordeste? Se sim, como explicar esse fato?

Os mitos prevalecem em sua totalidade no interior de Pernambuco, porém como diz Câmara Cascudo, as lendas se confundem com os mitos e por sua vez, os mitos se confundem com as lendas. As lendas surgem da riqueza do imaginário popular diante de algum acontecimento, embora muitas lendas tenham sido criadas para manutenção da “ordem social”, prevalecendo os mitos e as lendas que dão alma ao lugar. Para uma mãe criar seu doze filhos, por exemplo, em um sítio afastado da cidade, ela utilizava o medo para manter a ordem dentro de casa. Assim, como afirma Campbell, “esperança e terror dão coesão à sociedade.” Cada história, segundo Jaques Le Goff, “foi contada ao seu modo, a história está apenas começando”.

  1. 4.   Quais comentários poderiam ser feitos sobre a atuação de “plano de fundo” do mito do papa-figo na lenda urbana do palhaço que rouba crianças?

O papa-figo é um mito que sobrevive em tempos de tecnologia da informação. Como diz Cascudo algumas lendas e mitos ficam hibernando, esperando uma oportunidade para aparecerem novamente com outras dimensões. O papa-figo, por exemplo, está globalizado, o velho se disfarça de palhaço para atrair bem mais crianças e o fígado não o único órgão atrativo para o palhaço. Também há um contexto mercadológico. Há com tudo uma refuncionalização no mito do papa-figo.

  1. 5.   Segundo Câmara Cascudo alguns mitos, a exemplo do papa-fígo, nunca desaparecem, mas permanecem em estado de latência, dentro desta concepção quais os fatores que influenciam o reaparecimento de um mito?

Como havia falado anteriormente, o papa-figo reaparece em momentos de crise, de aflição e desespero. Aparece diante de uma oportunidade relacionada a noticias das mídias, crimes e acontecimentos do cotidiano em alguns lugares. Diante disso há uma mobilidade que é traduzida na dinâmica das culturas populares em ciclo que vai desde aparecer, parecer para depois desaparecer. Ou seja, como diz Hannah Arendt, “Não há dois mundos, pois a metáfora os une”.

  1. 6.   Quais os comentários podem ser feitos sobre o caso da “Menina Sem Nome” dentro da linha teórica da folkcomunicação?

A “Menina Sem Nome” foi considerada pelo povo como um anjo, já que o desfecho de sua história foi trágico. O seu túmulo atrai curiosos e devotos. Desse modo a “Menina Sem Nome” passou a ser uma santa-não-canônica devido aos pedidos feitos pelo povo em seu túmulo. Nesse contexto, sob a luz da folkcomunicação os devotos pedem casas, celulares, casamentos, reconciliação amorosa, entre outros. A “Menina sem Nome” pode ser considerada uma “Santa” que consegue atrair uma variedade de fiéis. Em seu túmulo há uma variedade de objetos, feitos como maquetes de papel, para realização de pedidos como, bicicleta, geladeira, carro. Assim, há uma criatividade na forma como o povo faz sua devoção.

  1. 7.   Como as novas tecnologias influenciam as elaborações, ressignificações e transmissão dos mitos?Teriam esses perdido suas capacidades comunicativas diante de um mundo informatizado e digitalizado?

Acreditamos que as narrativas sejam influenciadas pela mídia. A mídia por sua vez é um holograma de códigos do cotidiano. Nesse sentido o mundo é codificado. Vivemos entre o material, o formal e o tempo. Há de se considerar que exista outra forma de observar as narrativas populares. O mundo informatizado e digitalizado é acelerado por novos códigos. Nesse sentido, o povo cria maneiras para organizar-se.





O nome dele é Alan…

29 03 2010

De cabelos claros, estatura média e acostumado a brincar em cemitérios quando criança, o hoje cineasta premiado, Alan Oliveira, desenvolve um trabalho voltado às práticas religiosas. Com o documentário “Fé Sem Nome” traz a tona uma história que poderia ter sido somente um caso de polícia, mas passou a configurar o panteão dos santos do povo nordestino.

Com um pouco mais de duas décadas, desde o caso da menina encontrada morta na praia do Pina e enterrada como indigente, a devoção à “Menina Sem Nome” aparece como um dos maiores cultos do Recife e abre uma seara de interpretação para a antropologia, folkcomunicação, sociologia, história e muitas outras.

Segue abaixo, uma entrevista concedida pelo Alan, que entre fatos biográficos e falas sobre a “Menina Sem Nome” nos deixa indicações de documentaristas e artigos que dialogam com o seu trabalho. Vale a pena acessar e descobrir o imorrível cantor Di Melo, no link seguinte:  http://www.youtube.com/watch?v=QN0o_v7RAyE     

 

 

1. Por que o interesse em documentar o caso da “Menina Sem Nome” e qual a estética trabalhada?

Tudo surgiu a partir de um grupo de pesquisa montado com o incentivo do professor Eduardo Duarte com alunos do curso de comunicação, voltado a pesquisar o documentário. Porém, estávamos tão sedentos em realizar algo que acabamos por nos lançar já dentro de um processo de pesquisa pra um documentário. No início levantamos vários possíveis temas, mas quando foi colocado na mesa a “Menina Sem Nome” quase todos concordaram que esse seria um bom tema e foi assim que começamos. Eu, particularmente, já tinha uma relação bem antiga com o tema. Meus avós moram na Rua do Sossego próximo ao cemitério e me acostumei quando criança entrar no cemitério enquanto andava de bicicleta e, assim, conheci a história que sempre me impressionou.

Quanto à estética do filme, creio que o filme no diálogo entre estética  e conteúdo tenha seu maior valor no conteúdo.  Acho o filme relativamente simples e centrado nos depoimentos dos fieis, não tem grandes experiências estilísticas ou coisas assim. Claro que o filme tenta em alguns momentos trabalhar o vazio e a montagem em algum momento brinca com a quebra da expectativa como na cena do extintor, mas não acho que isso torne um filme “estético”.

Creio que quanto à forma o maior valor do filme está em não adotar uma postura jornalística, nem embarcar por um viés policial na história. Acho que dar toda voz aos fies e deixar que eles façam o inventário do mito é a grande sacada do filme, o filme não tenta ser conclusivo, nem dizer como a menina morreu e etc, prefere o burburinho da boca do povo, a cacofonia da boca do povo.

2. Há no Brasil muitos outros casos de crianças assassinadas de forma bárbara que não se transformaram em devoção popular. Sendo assim, em sua opinião, ao que se deve a sacralização em torno da “Menina Sem Nome”?

 

Olha, sem dúvida a sacralização da “Menina Sem Nome” está diretamente associada ao grande destaque que os jornais da época deram para o caso, até o próprio termo “Menina Sem Nome” foi criado pelos jornais que exploraram de maneira sensacionalista a história chegando até a publicar uma foto da criança sendo necropiciada, coisa que nos parece impensável hoje em dia.  Claro que poderíamos nos perguntar: por qual motivo a filha dos Nardoni não foi santificada? Bom, em primeiro lugar, de certa forma foi. Claro que vivemos em outro tempo, o caso da “Menina Sem Nome” ocorreu em 1970 e estamos falando de um caso que ocorreu em 2008. Embora a mídia tenha o poder de criar ídolos e mitos, vemos, por exemplo, anualmente ídolos sendo criados no Big Brother, nas novelas e etc, no entanto tudo mudou. Atualmente, tudo é mais veloz e um mito que se cria tem um tempo de exploração menor, vivemos um tempo de mitos “fast food”. Hoje todos falam dos Nardoni, falam apenas por conta do julgamento que acabou de ocorrer, mas esqueceram do menino Hélio que foi decapitado, fato, por sua vez, que vão lembrar quando uma nova notícia sobre o caso vier á tona, para depois, novamente, esquecê-lo em seguida. Hoje é assim, não dá mais pra criar um mito que perdure, é tudo efêmero.

3. Em seu documentário há um momento em que dois populares afirmam ter conhecido a “Menina”. Quais seriam seus comentários a respeito dessas afirmações?

 

Bom, primeiro é preciso dizer que esses depoimentos foram completamente espontâneos, simplesmente estava lá com a câmera ligada quando eles começaram a discutir a cerca de quem sabia mais sobre a história da menina. Bom, confesso que no dia não pensei sobre isso e simplesmente registrei, mas na montagem percebi o grau de simulação que existia nas falas deles, sobretudo na senhora a qual falou mais empolgada dizendo que conheceu a garota atribuindo-lhe já em vida particularidades divinas. Acontece que fazendo as contas cheguei à conclusão de que a senhora que descreve a menina, na época, era também uma criança de no máximo 10 anos, porém, em seu depoimento ela fala como se fosse adulta. Na verdade, o que eu acho de mais valioso nessa constatação é perceber o poder que tem uma câmera ligada e de como ela molda a realidade e isso me faz refletir como é perigoso confundir o documentário com o documento, com a verdade e de que tamanha é a responsabilidade do documentarista em não tentar apreender a verdade e cristaliza-la aprisionando-a sobre um argumento qualquer.

4. Quais outros trabalhos artísticos (Fotografia, vídeo, literatura, teatro, dança e outros) você indicaria como trabalhos que dialogam com o seu documentário?

 

  Bom, tem três trabalhos que podem de alguma maneira dialogar com o meu. Tem um artigo muito bom de um cara chamado José Chavier dos Santos, ele escreveu um artigo que está na internet pra baixar e que li durante as pesquisas pro filme, o artigo chama-se, “A Menina Sem Nome: um Espaço de Comunicação Folk”. Foi muito importante ter lido esse trabalho e perceber toda simbologia dos ex-votos e etc. Os outros dois trabalhos não fazem relação direta, mais articulam, de diferentes maneiras, aspectos da devoção no nordeste. O primeiro trabalho que cito é o de Camilo Cavalcante em seu último filme, que tive prazer de trabalhar como assistente de direção, “Ave Maria, Mãe dos Sertanejos”. Nele existe uma tentativa de lançar um olhar sobre a devoção e o rito da oração das 6h da noite no sertão Pernambucano e ao mesmo tempo como tem ocorrido esse embate entre a tradição da “Ave Maria Sertaneja” cantada por Luís Gonzaga e executada por algumas rádios no horário da oração e a TV que, no mesmo horário, exibi o desenho do Pica-Pau: enquanto uma senhora ora e acende velas, crianças hipnotizadas vêem o famigerado passarinho. O outro trabalho que cito é “Morro” de Gabriel Mascaro, um grande trabalho, tanto esteticamente quanto no conteúdo.

   Dia 07 de Abril, no auditório da Livraria Cultura, às 19 horas. Além do Alan Oliveira, teremos Wilson Freire e Rúbia Lóssio





Diálogos II…

26 03 2010

Reconhecendo e afirmando o museu como um espaço de formação, colaboração e difusão de saberes, o museu apresentará no segundo encontro da série Caminhos do santo | Diálogos…, um debate trazendo algumas nuances da religiosidade popular à luz da Folkcomunicação, analisando a maneira como a população recebe as informações da mídia e as converte em tradições orais, discursos  que alimentam e fundamentam a construção de símbolos, personagens e locais que permeiam o imaginário religioso.

No dia 07 de Abril, teremos: Caminhos do Santo | Diálogos II…A sacralização de um espaço  e a Folkcomunicação. O debate contará com a exibição dos vídeos Fé Sem Nome, premiado com Menção honrosa, no Festival de Vídeo do Recife, do jornalista, produtor e diretor Alan Oliveira; o premiado Uma Cruz, uma História e uma Estrada, do roteirista, diretor, compositor  e  multi…, Wilson Freire; além da presença da pesquisadora Rúbia Lóssio, coordenadora do Núcleo de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior, da Fundação Joaquim Nabuco e membro da Comissão Pernambucana de Folclore, com diversos artigos publicados na área de folkcomunicação.

O que | Caminhos do santo | Diálogos II…A sacralização de um espaço e a Folkcomunicação

 Quando | 07 de Abril de 2010, quarta-feira, às 19 horas.

 Onde | Auditório da Livraria Cultura

 Quanto | Grátis

 Informações | 3232-2803 / 3232-2969

educativomap@hotmail.com

 museudeartepopular@hotmail.com

Serão emitidos certificados aos ouvintes

 

 

 

Rúbia Lóssio |  Mestra em Comunicação Rural pela UFRPE, bacharelado em Ciências Sociais com ênfase em Sociologia Rural pela UFRPE. Atualmente é Coordenadora do Núcleo de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco, leciona na FALUB em Carpina-PE. Faz parte da Comissão Pernambucana de Folclore.

Wilson Freire | Pós-graduado em roteiro e cinema pela Estácio de Sá. Autor de publicações, dentre as quais, o recente “Cinquentinha”. Compositor vencedor de festivais como Frevança e Recifrevo. Premiado em festivais diversos de audiovisual: Cine PE, Festival do Minuto, BNB Cultural, Funcultura, Menções honrosas e vencedor do DOC TV III – PE com “Uma Cruz, uma História e uma Estrada”.

 Alan Oliveira | Comunicação Social, UFPE. Atuou na produção, assistência de direção(com Camilo Cavalcante) e direção de vários projetos de ficção, documentário e vídeo-arte, sendo alguns premiados em festivais em Brasília. Dirigiu o documentário Fé Sem Nome, premiado com Menção honrosa Festival de Vídeo do Recife – 2008. Foi assistente de direção em “A Luneta do Tempo, longa-metragem dirigido por Alceu Valença.

Coordenação de Mesa

Fábio Carvalho | História, UFPE.

 

 http://www.livrariacultura.com.br/scripts/eventos/resenha.asp?nevento=5581&local=3&tipoEvento=palestra&sid=89707613412127671184602711&k5=27393EAF&uid=

 





A ‘guerra’ dos mundos

26 03 2010

Muito se tem falado dos atuais conflitos religiosos, étnicos e culturais que surpreende-nos dia após dia nos principais jornais do país e do mundo. Pouco se tem ouvido das mediações possíveis entre países, pessoas e povos que não se entendem. Talvez a ausência de personagens que promovam a paz e a compreensão der-se por uma dificuldade do mundo globalizado em perceber outros discursos e concepção de vida em meio a uma sociedade cada vez mais massificada. Em direção contrária às políticas e ações unilaterais, temos uma série de instituições que procuram um caminho de idas e vindas, construções e desconstruções e os espaços museais não poderiam se furtar a trilhar estradas que possibilitem a várias tribos compreenderem e moldarem discursos apresentados nas exposições destes espaços físicos e sociais. Abaixo temos um texto-depoimento de Alesson Góis, o simpático estagiário do Museu de Arte Popular, esta instituição que ganha voz junto aos seus amigos e admiradores. Nele você fica sabendo um pouco dos desafios enfrentados por mediadores que podem e devem servir de lição a tanta “gente grande” por aí. Divirtam-se!!!!

As dificuldades da mediação

Cada indivíduo possui uma maneira de perceber a si mesmo e o mundo que o rodeia. As leituras e interpretações feitas sobre elas são as mais variadas possíveis baseando-se no contexto sociocultural em que o indivíduo esteja inserido. Esses infinitos “mundos” particulares, cada um com seu sistema organizacional próprio, é o que torna a condição humana ainda mais instigante.

Por vivermos em sociedade, esses “mundos” acabam, por sua vez, se entrecruzando. Neste momento, é comum ocorrer divergências na comunicação e, por isso, se faz necessário a avaliação e a reorganização da fala a fim de se tornar compreendido.

Dentro de um museu não acontece diferente. Para cada visitante que entra nesse espaço é necessário ser revisto o discurso de mediação devido às singularidades de percepção. Fatores como a faixa etária, a realidade social do visitante, o nível de escolaridade entre outros aspectos são motivos que levam a essa reestruturação da mediação.

Como mencionado, o objetivo de qualquer indivíduo que dialoga é ser compreendido, sendo assim, o mediador em um espaço museológico deve estar atento a essas questões, pois elas refletem diretamente na interação que o visitante terá com a exposição, como também, na própria satisfação da visita tanto pela questão da aquisição de conhecimento como até mesmo na divulgação do espaço para seus amigos e familiares.

Portanto, cabe ao museu e sua equipe estar em constante busca por estratégias de mediação que supram as necessidades de cada público visitante, procurando estabelecer uma linguagem nítida e coerente.

Alesson Góis





Para amar Recife…

15 03 2010

Para comemorar o aniversário de 473 anos do Recife, na última sexta-feira, no dia 12 de março, a Prefeitura Municipal organizou roteiros turísticos que contemplassem os principais pontos do município, realizando um passeio repleto de história e de memória, que pelos rios, ruas e becos desvelou o casario, as pontes e alma desta terra cosmopolita e encantadora.

            Assim, a Secretaria de Educação Esporte e Lazer proporcionou a aproximadamente 2.500 alunos de escolas municipais a participação nestes roteiros, incluindo o Pátio de São Pedro, onde está situado o Museu de Arte Popular. Através da atual exposição do espaço intitulada, “Caminhos do Santo”, os alunos encontraram a religiosidade dos populares, com suas crenças no diabo da garrafa, nos ex-votos de casas e nos artistas de Caruaru e Tracunhaém.

            Em uma tarde cultural os alunos também visitaram outros espaços do Pátio, tais quais: Memorial Luiz Gonzaga, Memorial Chico Science, Casa do carnaval e a Igreja de São Pedro. Como diria Clarice Lispector, os alunos tiveram a experiência de viver Recife, tal qual “o mundo que se abre de um botão em uma imensa rosa escarlate”.

Mais algumas informações através do link

http://www.recife.pe.gov.br/2010/03/12/alunos_do_recife_conhecem_pontos_turisticos_e_culturais_de_sua_cidade_170969.php





Perigo!Escolas no Museu!

11 03 2010

 

Reduzir as barreiras entre a escola e o museu. Estabelecer um diálogo unificado em prol da formação dos alunos-cidadãos. Essas foram algumas questões discutidas no primeiro encontro temático, organizado pelo Museu de Arte Popular, intitulado “Diálogos”, realizado no dia 05 de março de 2010, na Livraria Cultura.

Amanhã iremos visitar um museu!” – Avisa o professor em sua classe. Ao ouvir isso a sala de aula entra em efervescência, pois, para alguns alunos, somente o fato de sair das quatro paredes de sua escola já é um motivo para festejar. Outros devem ter pensado: “Museu? Como seria bem isso?” ou “O que tem pra se fazer lá?”.

Nesse momento, na mente do professor mencionado podem ter surgido pensamentos como: “Um dia de descanso, de folga!”, ou um “Que ótimo! Um dia fora da rotina!”, ou até mesmo um “Não sei bem como vou poder relacionar o que eu estou ensinando em sala de aula com o que eles vão ver no museu, mas sei que vai ser bom pelo conhecimento adquirido”.

A ilustração acima demonstra uma realidade que infelizmente ainda persiste na educação escolar em relação às visitações aos museus. Por isso, o Museu de Arte Popular resolveu iniciar, neste mês de março, encontros que abordam, inicialmente, a relação sala de aula – museu como atividade a ser desenvolvida de forma mais efetiva.

No encontro “Diálogos… Entre o museu e a sala de aula” os debatedores procuraram enfatizar a necessidade de se pensar o museu como um espaço de pesquisa, educação e lazer, onde essas três esferas dialogam em prol da construção do conhecimento. Nesta concepção, foi abordada a importância da interação dos alunos e do docente nas visitas feitas aos museus, ao defender a necessidade da participação do estudante como elemento ativo na formulação de seu aprendizado.

O Educativo MAP apresentou estratégias de mediação para o melhor aproveitamento da visitação visto que ela é constantemente adaptada ao tempo e a necessidade da escola visitante. Sendo assim, a equipe do museu procurou estar sensível as diferentes abordagens necessárias para o atendimento de cada público, em geral, formado por crianças e adolescentes – tal como, elucidar aos professores assuntos vistos em sala de aula que podem dialogar com os conteúdos presentes nesta exposição.

As estratégias citadas mostraram-se pertinentes no MAP pelo fato de terem estimulado, a partir do próprio envolvimento do alunado, o interesse e a relevância das temáticas abordadas na exposição Caminhos do Santo” em seu cotidiano, proporcionando assim, a fomentação de memórias e referências sociais que afirmem a cultura nordestina e desvele novas possibilidades de interação sócio-cultural.

Buscar estreitar os diálogos entre a escola e o museu a fim de consolidar uma formação cidadã dos alunos, tal como demonstrar aos professores e coordenadores pedagógicos o potencial de um museu como um espaço de aprimoramento do conhecimento iniciado em sala de aula, foram alguns dos objetivos desse primeiro encontro realizado pelo Museu de Arte Popular, pois crê-se que parcerias institucionais, professores qualificados, museus com preocupação pedagógica e políticas públicas adequadas é possível reverter a situação da aprendizagem e formação cultural em nosso país.





Diálogos…entre o museu e a sala de aula, na Livraria Cultura

1 03 2010

O Museu de Arte Popular promoverá uma série de encontros, Caminhos do santo|Diálogos…, tendo como ponto de partida os assuntos suscitados na mostra Caminhos do santo, inaugurada no dia 21 de Dezembro de 2009.

No dia 05 de Março, o encontro de abertura: Caminhos do santo|Diálogosentre o museu e a sala de aula, com a apresentação do setor educativo, do Museu de Arte Popular versando sobre a proposta educativa da atual exposição. Para enriquecer a conversa, convidamos a Professora Silvana Conrado, Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco, que trabalhou a relação do professor com os museus do Recife em sua dissertação.

05 de Março, às 17:00 horas, auditório da Livraria Cultura

Silvana de Souza Conrado | Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), desenvolvendo estudos sobre a formação continuada de professores no âmbito dos museus de Recife.  Especialista em Ensino de História das Artes e das Religiões pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), focando sua pesquisa na contribuição artístico-cultural dos afro-brasileiros em Pernambuco. Licenciada em Desenho e Plástica (UFPE), atuou lecionando Arte, no Ensino Fundamental e Médio, na rede pública estadual (1993 a 2000) e, mais recentemente, vem atuando na rede pública federal (2001-2010), no Colégio Militar de Recife (CMR).  Possui artigos sobre sua área de estudo e atuação pedagógica publicados em periódicos científicos.  

 

Educativo MAP

Alesson Gois    | Graduando em História, UFRPE

Daniel Barreto   | Graduando em Ciências Sociais, UFRPE

Thiago Nunes    | Mestrando em História, UFPE

Coordenação Mesa          

Fábio Carvalho |  História, UFPE

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