Vem aí…

10 05 2011

De 16 a 22 de Maio, várias instituições culturais terão uma programação intensa, celebrando o calendário da 9º Semana Nacional de Museus, que chega a 2011 com a proposição Museu e Memória.

 
Museu e Memória, tema da Semana Nacional de Museus 2011

Nada mais oportuno que (re)visitar a memória através da exposição Teia de CordéisColeção Arnaldo Saraiva, por meio dos 253 folhetos portugueses expostos no MAP.

Aguardem!





ColeCção particular de cordéis no MAP!

12 03 2011

 

A partir do dia 16 de Março, romances, personagens históricos, operetas, manuais, autos, hinos, elegias, canções, sátiras e muitos outros elementos serão encontrados no Museu de Arte Popular através de um passeio por uma parte da coleção de cordéis portugueses do pesquisador Arnaldo Saraiva, professor da Universidade do Porto.

Arnaldo Saraiva

 

Período | 16 de Março a 30 de Abril de 2011

Informações | +55 81. 3355-3110

museudeartepopular@hotmail.com

 

 

 

 

 

 





Oficinas de final de ano MAP

4 11 2010


O Museu de Arte Popular (MAP), vinculado a Fundação de Cultura Cidade do Recife, anuncia as oficinas que oferecerá no decorrer do mês de Novembro, de forma totalmente gratuita.

No mês de novembro o MAP abrigará, nos dias 20 e 21, uma oficina de Pôster Lambe-Lambe, com o artista, grafiteiro e B-Boy Bozó Bacamarte, que produz lambe-lambes desde 2006, espalhando por toda a cidade sua arte e seus conceitos, permeados pela estética do xilogravura.

Já a partir do dia 29 de Novembro ao 03 de Dezembro, o MAP abrigará uma oficina de Literatura de Cordel, orientada pelo cordelista, oficineiro da Unicordel e colunista do site Interpoética, Meca Moreno, autor do livro “GIRAMUNDO – O Espectador do Fim & Gêneros da Poesia Popular”.

As duas oficinas são totalmente gratuitas e prevêem explanações sobre a história de suas respectivas temáticas, assim como as relações com outras expressões artísticas e as técnicas utilizadas para a confecção do cordel e do cartaz/pôster lambe-lambe. As vagas são limitadas e as inscrições são feitas separadamente.

Ambas as oficinas contarão com certificação a ser recebida no final, mediante o cumprimento da carga horária exigida. É, portanto, imprescindível – para o recebimento do certificado – a presença do aluno nas duas aulas no caso do lambe-lambe, e em pelo menos quatro das cinco aulas de cordel.

Oficina Lambe-lambe

Facilitador | Bozó Bacamarte

Período | 20 e 21 de Novembro (Sábado e Domingo)

Horário | das 14:00 às 18:00 horas

Local | Museu de Arte Popular

Oficina Literatura de Cordel: O que é & como se faz

Facilitador | Meca Moreno

Período | 29 de Novembro a 03 de Dezembro (Segunda a Sexta)

Horário | das 09:00 às 12:00 horas

Local | Museu de Arte Popular

As inscrições podem ser presenciais, no Museu de Arte Popular, de segunda a sexta, das 9 às 17 horas e através do e-mail: pesquisamap@hotmail.com, indicando no “assunto” da mensagem o título da oficina que pretende fazer.

Museu de Arte Popular

Pátio de São Pedro | casa 45 e 49

São José | Recife | PE

50020-220

81. 3355-3110 / 3355-4720





Os cordelistas estão chegando…

2 08 2010

A Prefeitura do Recife, por meio do Museu de Arte Popular (MAP) e da Gerência Operacional de Literatura e Editoração(GOLE), apresenta como parte da programação do Festival de Literatura, A Letra e a Voz, a oficina Literatura de Cordel: O que é & como se faz, orientada pelo cordelista Meca Moreno, oficineiro da Unicordel, colunista do site do Ponto de Cultura Interpoética (www.interpoética.com) e autor do livro “GIRAMUNDO O Espectador do Fim & Gêneros da Poesia Popular”.

 

                               A oficina tem como objetivo fornecer informações acerca da origem do cordel, um panorama histórico, abordando sua difusão no Nordeste brasileiro, passeando pela relação com a xilogravura, trabalhando técnicas como a quadra, a sextilha, a décima, o verso, a prosa, a poesia, a ilustração, a estrofe e os demais elementos pertinentes ao processo de confecção. Ainda, sugestões e técnicas para arte-educadores. Ao final, cada participante confeccionará seu folheto de cordel, como produto da oficina, reforçando a preservação da memória, ofício e práticas da nossa cultura.

                               As aulas serão realizadas na Livraria Cultura, das 13:00 às 16:00 horas, no período de 16 a 20 de Agosto.

                               A inscrição é gratuita e deverá ser realizada no Museu de Arte Popular, do dia 02 ao dia 12 de Agosto.

 

                               Aos concluintes do curso, serão emitidos certificados

                                   Corram! Pois as vagas são limitadas.

O que | Oficina Literatura de Cordel: O que é & como se faz.

Facilitador | Meca Moreno – Unicordel

Quando | 16 a 20 de Agosto, das 13 às 16 horas

Inscrições | 02 a 12 de Agosto, no Museu de Arte Popular, Segunda a Sexta, das 9 às 17 horas

Onde | Livraria Cultura

Quanto | Grátis

Promoção | MAP e GOLE

Informações |  

Museu de Arte Popular

Pátio de São Pedro | casa 49

São José | Recife | PE

81. 3355-3110 / 81. 3355-4720.

museudeartepopular@hotmail.com

Realização|

Apoio|





Alice no País dos Cordéis

6 05 2010

 

      Um dia, uma criança seguiu um coelho branco, um coelho de louça, que a levou até um portal. Ao atravessar o portal, num passe de mágica, o coelho se tornou uma poesia enquanto a criança, numa transmutação não menos poderosa, se tornava adolescente, e foi aí que esta criança, chamada Alice, encontrou a Literatura de Cordel.

      O cordel, que tem sua origem na Península Ibérica, fortemente influenciado pela poética árabe, é parte da identidade do Nordeste brasileiro e só assim podemos entender, como uma criança baiana, que morava em Pernambuco, foi entrar em contato com esta expressão artística pelo intermédio de uma professora cearense. O cordel se tornou, também, parte da identidade de Maria Alice Rocha Amorim.

      Formada em Psicologia, em Jornalismo e com mestrado em Comunicação e Semiótica, Maria Alice encontrou, na literatura de cordel, seu objeto de estudo e uma grande paixão. Nesta entrevista, Maria Alice se apresenta, e introduz algumas das questões que foram discutidas ontem, dia 05 de Maio, no Auditório da Livraria Cultura.

 

 

 

1 – Maria Alice, como e onde surgiu este seu amor pela literatura de cordel e pela Arte Popular?

 

Desde a adolescência, apreciava ouvir uma professora, que era cearense, falar sobre literatura de cordel. E ainda criança, adorava brincar com miniaturas de louça de barro. Isso poderia ter sido apenas um passatempo momentâneo, mas, não, firmou-se como prazeroso objeto de estudos a partir da época em que vim estudar no Recife, entre o final dos anos 70 e início dos 80. Depois, morei dez anos em Nazaré da Mata e lá passei a freqüentar sambadas e ensaios dos mestres de maracatu. A arte dos ceramistas de Tracunhaém, Goiana, Caruaru sempre me tocava, além de adorar o convívio com as artes dos cordelistas xilógrafos, como Marcelo Soares, Dila e Costa Leite.

2 – Sua dissertação de mestrado, No visgo do improviso ou A peleja virtual entre cibercultura e tradição, trata do advento da informática como um meio de propagação da literatura de cordel. Diante da pesquisa que foi desenvolvida, como esta e outras tecnologias interferem nas tradições de cordelistas e de outros artistas populares, seja de maneira positiva, ou de maneira danosa? Como você analisaria o papel das tecnologias na preservação das tradições?

 

As tecnologias acompanham o homem desde os primórdios. Quando se fala de tradição, uma das recorrências é supor que as duas – tecnologia e tradição – são incompatíveis. Mas, o cordel feito com a mediação de ferramentas do mundo cibernético prova o contrário. Isso, apenas citando a experiência cordelística, e a mais recente. Claro que as tradições não são estáticas, há interação contínua com o contemporâneo e esse diálogo garante a vitalidade. Evidente que o poeta cordelista não tem mais o perfil sociológico de um poeta de início ou meados do século 20. O cordel é identificado por aspectos de um fazer tradicional, obviamente, e é feito, hoje, por contemporâneos nossos. E, bom que se diga, foi exatamente a partir do boom das comunicações e facilidades oferecidas pelo computador e pela internet, a partir do final dos anos 90, que a produção cordelística retomou o fôlego. Os cordelistas se comunicam em rede, produzem e publicam com auxílio da rede, criam novas formas de produção poética, como as pelejas (de improviso ou não) no msn, twitter, nos blogs, correio eletrônico, telefone celular. Preservação, para mim, é isso, deixar o cordel viver, sem ficar lamentado que o cordel bom era somente aquele feito no passado.

3 – Em seu texto, O Verbo Sedutor, você fala de como a poética improvisada do mestre de maracatu rural reaviva tradições que remetem até aos poetas medievais. Esta ligação histórica tão antiga não é exceção na arte popular nordestina, pois o cordel teria sua origem na península ibérica, com forte influência árabe. Diante deste passado tão iluminado, que se reflete em um presente rico culturalmente, por que ainda existe tanto preconceito de alguns eruditos e intelectuais com estas (e outras) manifestações?

 

As tradicionais poéticas de oralidade estão inscritas num grande universo, que Jerusa Pires Ferreira chama de “grande texto oral”, portanto, improviso de maracatu dialoga com violeiros, coquistas, cordelistas. E isto é muito rico, como escreve, por exemplo, Augusto de Campos, num ensaio em Verso, Reverso e Controverso, em que relaciona a linguagem poética de violeiros nordestinos e poetas provençais. Há grandes textos, grandes pesquisadores que se debruçam sobre estas expressões de cultura. O preconceito, quando há, sai do âmbito meramente das preferências, fazendo vislumbrar questões ideológicas.

4 – O artista Mestre Noza, nascido em Taquaritinga do Norte (PE), mas que ainda jovem peregrinou até Juazeiro do Norte (CE), teve uma forte ligação com o Padre Cícero. Esta relação começava na fé, e ia até a sua arte, onde as figuras do Padim representavam uma parcela importante do trabalho do artista. Segundo o próprio Noza (Reinado da Lua, 2009), ele teria levado a primeira imagem ao Padre Cícero, que teria rido e perguntado “Eu sou assim?”. Levando em conta o exemplo de Mestre Noza com o Padre Cícero, nos cordéis, como esta figura, Padre Cícero, é retratada? São múltiplas interpretações? E, por fim, teriam estas interpretações, relação direta com o contexto da produção?

 

Existe uma unanimidade: o mito. Louvado como santo, o Padre Cícero também é expurgado por cordelistas que o consideram “santo das oligarquias”. Mas, nenhum contesta que tenha sido um homem inteligente, carismático. Milenarismo e messianismo são aspectos recorrentes nos cordéis sobre o Padim Ciço. E, com certeza, por ser um filão comercial, muitos dos poetas escrevem conforme o público das romarias. Afinal, dessa forma o folheto será bem vendido.

5 – Você gosta de Juazeiro (BA) e adora Petrolina (PE)?

 

Amo Juazeiro e Petrolina. Lá está a minha infância e as duas carrego sempre comigo. Agora, Recife e Nazaré da Mata foram decisivos quanto ao que venho pesquisando sobre culturas tradicionais, principalmente as poéticas de oralidade.

Maria Alice Amorim | Natural de Juazeiro, Bahia, cresceu em Petrolina, Pernambuco. Vive no Recife, onde exerce o jornalismo especializado em reportagens culturais, colaborando em revistas e suplementos, e realizando conferências. Dedica especial atenção à poesia popular, à arte figurativa e aos folguedos populares. Da fusão desses temas surgiu o livro Carnaval – cortejos e improvisos (2002), em co-autoria com o pesquisador Roberto Benjamin. Publicou, em 2003, ensaio sobre arte popular na obra Pernambuco: cinco décadas de arte. É autora do ensaio Improviso: tradição poética da oralidade, que integra o livro Literatura e Música, co-edição do Itaú Cultural e editora Senac. Com pesquisa sobre as poéticas tradicionais do Nordeste brasileiro, defendeu dissertação de mestrado em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) –  “No visgo do improviso ou A peleja virtual entre cibercultura e tradição” – , que saiu em 2009 pela Educ (PUC-SP).