16 de junho, no MAP! De ColeCção a Coleção

15 06 2011

Inauguração dia 16 de Junho no MAP

O Museu de Arte Popular firmou como proposta de atuação em 2011, promover o acesso e o fluxo a/de acervos particulares, por meio de mostras temporárias que envolvam temáticas pertinentes a cultura popular.

Abrimos 2011 com o projeto Teia de Cordéis, elaborado em duas fases. A primeira, inaugurada no dia 16 de Março, trouxe pela primeira vez ao Brasil uma mostra de folhetos portugueses, sob o título Teia de CordéisCordéis Portugueses – Coleção Arnaldo Saraiva (professor e pesquisador da Universidade do Porto, Portugal). A exposição contou com raridades, folhetos datados a partir do século XVII, permeados por várias modalidades textuais.

Chegamos ao momento Teia de CordéisCordéis Brasileiros – Coleção Maria Alice Amorim (pesquisadora e colecionadora). Com foco no vasto universo da produção regional, elencando autores importantes, ciclos de produção e temática, os cinco livros do povo e memória.

Projeto Teia de Cordéis - Portugal e Brasil representados em acervos particulares podem ser apreciados no MAP

O que | Teia de cordéis 

Cordéis Brasileiros | Coleção Maria Alice Amorim

 

Quando | 16 de Junho a 19 de Agosto de 2011

 

Onde | Museu de Arte Popular (MAP)

+55 81. 3355-3110

Pátio de São Pedro | Casa 49     Recife – PE





Alice no País dos Cordéis

6 05 2010

 

      Um dia, uma criança seguiu um coelho branco, um coelho de louça, que a levou até um portal. Ao atravessar o portal, num passe de mágica, o coelho se tornou uma poesia enquanto a criança, numa transmutação não menos poderosa, se tornava adolescente, e foi aí que esta criança, chamada Alice, encontrou a Literatura de Cordel.

      O cordel, que tem sua origem na Península Ibérica, fortemente influenciado pela poética árabe, é parte da identidade do Nordeste brasileiro e só assim podemos entender, como uma criança baiana, que morava em Pernambuco, foi entrar em contato com esta expressão artística pelo intermédio de uma professora cearense. O cordel se tornou, também, parte da identidade de Maria Alice Rocha Amorim.

      Formada em Psicologia, em Jornalismo e com mestrado em Comunicação e Semiótica, Maria Alice encontrou, na literatura de cordel, seu objeto de estudo e uma grande paixão. Nesta entrevista, Maria Alice se apresenta, e introduz algumas das questões que foram discutidas ontem, dia 05 de Maio, no Auditório da Livraria Cultura.

 

 

 

1 – Maria Alice, como e onde surgiu este seu amor pela literatura de cordel e pela Arte Popular?

 

Desde a adolescência, apreciava ouvir uma professora, que era cearense, falar sobre literatura de cordel. E ainda criança, adorava brincar com miniaturas de louça de barro. Isso poderia ter sido apenas um passatempo momentâneo, mas, não, firmou-se como prazeroso objeto de estudos a partir da época em que vim estudar no Recife, entre o final dos anos 70 e início dos 80. Depois, morei dez anos em Nazaré da Mata e lá passei a freqüentar sambadas e ensaios dos mestres de maracatu. A arte dos ceramistas de Tracunhaém, Goiana, Caruaru sempre me tocava, além de adorar o convívio com as artes dos cordelistas xilógrafos, como Marcelo Soares, Dila e Costa Leite.

2 – Sua dissertação de mestrado, No visgo do improviso ou A peleja virtual entre cibercultura e tradição, trata do advento da informática como um meio de propagação da literatura de cordel. Diante da pesquisa que foi desenvolvida, como esta e outras tecnologias interferem nas tradições de cordelistas e de outros artistas populares, seja de maneira positiva, ou de maneira danosa? Como você analisaria o papel das tecnologias na preservação das tradições?

 

As tecnologias acompanham o homem desde os primórdios. Quando se fala de tradição, uma das recorrências é supor que as duas – tecnologia e tradição – são incompatíveis. Mas, o cordel feito com a mediação de ferramentas do mundo cibernético prova o contrário. Isso, apenas citando a experiência cordelística, e a mais recente. Claro que as tradições não são estáticas, há interação contínua com o contemporâneo e esse diálogo garante a vitalidade. Evidente que o poeta cordelista não tem mais o perfil sociológico de um poeta de início ou meados do século 20. O cordel é identificado por aspectos de um fazer tradicional, obviamente, e é feito, hoje, por contemporâneos nossos. E, bom que se diga, foi exatamente a partir do boom das comunicações e facilidades oferecidas pelo computador e pela internet, a partir do final dos anos 90, que a produção cordelística retomou o fôlego. Os cordelistas se comunicam em rede, produzem e publicam com auxílio da rede, criam novas formas de produção poética, como as pelejas (de improviso ou não) no msn, twitter, nos blogs, correio eletrônico, telefone celular. Preservação, para mim, é isso, deixar o cordel viver, sem ficar lamentado que o cordel bom era somente aquele feito no passado.

3 – Em seu texto, O Verbo Sedutor, você fala de como a poética improvisada do mestre de maracatu rural reaviva tradições que remetem até aos poetas medievais. Esta ligação histórica tão antiga não é exceção na arte popular nordestina, pois o cordel teria sua origem na península ibérica, com forte influência árabe. Diante deste passado tão iluminado, que se reflete em um presente rico culturalmente, por que ainda existe tanto preconceito de alguns eruditos e intelectuais com estas (e outras) manifestações?

 

As tradicionais poéticas de oralidade estão inscritas num grande universo, que Jerusa Pires Ferreira chama de “grande texto oral”, portanto, improviso de maracatu dialoga com violeiros, coquistas, cordelistas. E isto é muito rico, como escreve, por exemplo, Augusto de Campos, num ensaio em Verso, Reverso e Controverso, em que relaciona a linguagem poética de violeiros nordestinos e poetas provençais. Há grandes textos, grandes pesquisadores que se debruçam sobre estas expressões de cultura. O preconceito, quando há, sai do âmbito meramente das preferências, fazendo vislumbrar questões ideológicas.

4 – O artista Mestre Noza, nascido em Taquaritinga do Norte (PE), mas que ainda jovem peregrinou até Juazeiro do Norte (CE), teve uma forte ligação com o Padre Cícero. Esta relação começava na fé, e ia até a sua arte, onde as figuras do Padim representavam uma parcela importante do trabalho do artista. Segundo o próprio Noza (Reinado da Lua, 2009), ele teria levado a primeira imagem ao Padre Cícero, que teria rido e perguntado “Eu sou assim?”. Levando em conta o exemplo de Mestre Noza com o Padre Cícero, nos cordéis, como esta figura, Padre Cícero, é retratada? São múltiplas interpretações? E, por fim, teriam estas interpretações, relação direta com o contexto da produção?

 

Existe uma unanimidade: o mito. Louvado como santo, o Padre Cícero também é expurgado por cordelistas que o consideram “santo das oligarquias”. Mas, nenhum contesta que tenha sido um homem inteligente, carismático. Milenarismo e messianismo são aspectos recorrentes nos cordéis sobre o Padim Ciço. E, com certeza, por ser um filão comercial, muitos dos poetas escrevem conforme o público das romarias. Afinal, dessa forma o folheto será bem vendido.

5 – Você gosta de Juazeiro (BA) e adora Petrolina (PE)?

 

Amo Juazeiro e Petrolina. Lá está a minha infância e as duas carrego sempre comigo. Agora, Recife e Nazaré da Mata foram decisivos quanto ao que venho pesquisando sobre culturas tradicionais, principalmente as poéticas de oralidade.

Maria Alice Amorim | Natural de Juazeiro, Bahia, cresceu em Petrolina, Pernambuco. Vive no Recife, onde exerce o jornalismo especializado em reportagens culturais, colaborando em revistas e suplementos, e realizando conferências. Dedica especial atenção à poesia popular, à arte figurativa e aos folguedos populares. Da fusão desses temas surgiu o livro Carnaval – cortejos e improvisos (2002), em co-autoria com o pesquisador Roberto Benjamin. Publicou, em 2003, ensaio sobre arte popular na obra Pernambuco: cinco décadas de arte. É autora do ensaio Improviso: tradição poética da oralidade, que integra o livro Literatura e Música, co-edição do Itaú Cultural e editora Senac. Com pesquisa sobre as poéticas tradicionais do Nordeste brasileiro, defendeu dissertação de mestrado em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) –  “No visgo do improviso ou A peleja virtual entre cibercultura e tradição” – , que saiu em 2009 pela Educ (PUC-SP).





Caminhos do santo | Diálogos IV… imagens

3 05 2010

Seguindo nosso roteiro para 2010, chegamos ao Diálogos IV… imagens, que no dia 05 de Maio, através dos trabalhos da pesquisadora Maria Alice Amorim, do antropólogo Jamerson Kemps e do fotógrafo Marcelo Feitosa, abordaremos as relações de fé, devoção e representação envolvendo as romarias do Juazeiro do Norte, no Ceará e do Morro da Conceição, no Recife.

Maria Alice Amorim tratará da imagem construída sobre o Padre Cícero, na Literatura de Cordel(literatura à qual Maria ALice se dedica sendo uma das grandes autoridades no assunto).

Jamerson Kemps, com sua dissertação de mestrado, passará pelas relações de fé firmadas pelos devotos, igreja e imagem de Nossa Senhora da Conceição, nas festas e no cotidiano.

Entrelaçando as duas romarias, Marcelo Feitosa, com o Festa Santa, munido de imagens devocionais, ressaltando a (muitas vezes,  intrínseca) relação sagrado| profano.

O que | Caminhos do santo | Diálogos IV… imagens

Quando | 05 de Maio de 2010, quarta-feira, às 19 horas.

Onde | Auditório da Livraria Cultura, Bairro do Recife

Promoção | Museu de Arte Popular – MAP

Quanto | Grátis

Informações | 3232-2803 / 3232-2969

museudeartepopular@hotmail.com

Marcelo Couto Feitosa | Fotógrafo autodidata, premiado em Brasília, especializado em fotos digitais, com curso de tratamento digital, ministrado pela Cia. Da Foto (SP). Autor de projetos como Cuba, exibido durante a IV Mostra Recife de Fotografia e o Festa Santa, trabalho que compõe a mostra Caminhos do santo, no Museu de Arte Popular.

Jamerson Kemps G. Moura | Mestrado em Antropologia (2008) e graduação em História (2004), pela Universidade Federal de Pernambuco, desempenhando a prática de ensino nas respectivas áreas de estudo e ciências afins. Defendeu a dissertação Nossa Senhora e o Morro da Conceição: História, Igreja e Comunidade Católica em Encontros e Desencontros, e atualmente é professor da Faculdade Joaquim Nabuco.

Maria Alice Amorim | Natural de Juazeiro, Bahia, cresceu em Petrolina, Pernambuco. Vive no Recife, onde exerce o jornalismo especializado em reportagens culturais, colaborando em revistas e suplementos, e realizando conferências. Dedica especial atenção à poesia popular, à arte figurativa e aos folguedos populares. Da fusão desses temas surgiu o livro Carnaval – cortejos e improvisos (2002), em co-autoria com o pesquisador Roberto Benjamin. Publicou, em 2003, ensaio sobre arte popular na obra Pernambuco: cinco décadas de arte. É autora do ensaio Improviso: tradição poética da oralidade, que integra o livro Literatura e Música, co-edição do Itaú Cultural e editora Senac. Com pesquisa sobre as poéticas tradicionais do Nordeste brasileiro, defendeu dissertação de mestrado em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) –  “No visgo do improviso ou A peleja virtual entre cibercultura e tradição” – , que saiu em 2009 pela Educ (PUC-SP).

Coordenação de Mesa

Fábio Carvalho |  História, UFPE.

Realização | Museu de Arte Popular

Apoio | Livraria Cultura